Saúde mental na era da pressa: o preço emocional da atualidade
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.20850108Resumo
Há poucos anos, falar abertamente sobre ansiedade, esgotamento ou tristeza persistente ainda soava como fraqueza para boa parte da população brasileira. O cenário mudou de figura. Em 2024, pela primeira vez na história do levantamento, a palavra "ansiedade" foi eleita a mais representativa do ano pelos brasileiros, segundo pesquisa do Instituto IDEIA em parceria com a CAUSE. Não é um detalhe curioso de pesquisa de opinião. É sintoma de um país que carrega, há anos, o topo de rankings que ninguém deveria querer liderar.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde de 2017, o Brasil já ocupava a primeira posição mundial em prevalência de transtornos de ansiedade, com cerca de 18,6 milhões de pessoas afetadas, o equivalente a 9,3% da população. Quase uma década depois, a pesquisa Covitel 2023, conduzida pelo Observatório de Saúde Pública da Umane, mostra que 26,8% dos brasileiros apresentam diagnóstico de ansiedade. O número praticamente triplicou. E o relatório World Mental Health Day, publicado pela Ipsos em 2024, coloca o país na quarta posição entre as nações mais estressadas do planeta, com a saúde mental apontada por 54% dos entrevistados como o principal problema de saúde enfrentado no Brasil hoje, contra apenas 18% em 2018.
Este editorial não pretende repetir estatísticas por si só. Pretende perguntar o que essas estatísticas revelam sobre o modo como estamos vivendo, adoecendo e, também, cuidando uns dos outros.
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Referências
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